domingo, 24 de janeiro de 2021

O egoísmo e a abnegação que só a vacina proporciona.

 Olá pissoas!

Cês tão bonzim? 

2021 chegou, mas parece que estamos vivendo um 2020.2, afinal, permanecemos na mesma: vivendo uma pandemia que não somos capazes de controlar e sem um vislumbre de que as coisas melhorem num curto prazo.

Entretanto, 2021 trouxe consigo a esperança da vacina, que já começou entre os profissionais da saúde.

O cronograma oficial ainda é meio misterioso, não tá tendo vacina suficiente, mas tá rolando. No modus operandi Brasil, mas tá rolando.

E nessa semana que passou, os trabalhadores da indústria e da construção civil foram inclusos na lista de prioridades. O que me inclui na lista. E o que eu senti com essa notícia foi uma dualidade de emoções difícil de explicar.

Por um lado veio a sensação de não merecimento, de que tinha muita gente que deveria entrar antes que nós nessa lista: professores, trabalhadores dos comércios e serviços essenciais (além dos da saúde, of course), trabalhadores do transporte coletivo, taxistas.

Por outro, como ser humano imperfeito que sou, não posso espalhar um falso altruísmo e dizer que não fiquei aliviada. Boa parte de nós tem menos de 60 anos, nenhuma doença crônica ou outro grupo de risco e majoritariamente saudáveis. Sabe-se lá quando conseguiríamos nos vacinar.

A minoria de nós tem o privilégio do home office, as linhas de produção não operam sem pessoas, afinal. Estamos há quase um ano vendo nossos colegas numa verdadeira operação de guerra para entrar e sair da empresa. É jaleco, máscara, luva, faceshield. Litros de álcool gel. Qualquer um de nós pode fazer bico de auxiliar de cirurgia sem grandes dificuldades.

Eu entendo o questionamento e a indignação de quem não concorda com a nossa inclusão (e concordo com todos eles), mas minha abnegação tem limites. Tô de bracinho lavado esperando a minha dose.

Vamos travar as batalhas certas, né?

As indústrias queriam comprar vacinas, e nosso desgoverno num raro lapso de sensatez não permitiu. Já não tá tendo vacina pra todo mundo, se liberar pra iniciativa privada, f*deu. Vai faltar onde mais precisa. Mas política é política, né? Enfiaram a gente na lista de "prioridades".

Mas antes que vocês nos odeiem e queimem as bandeiras do capitalismo por ai, saibam que nesse trem descarrilhado chamado Brasil o que se fala hoje não vale pra amanhã. Ainda nem temos um cronograma de vacinação direito, já não estamos recebendo doses suficientes logo nos primeiros grupos de vacinação, bem jeito Brasil. Sem novidades.

E essa é a batalha certa. Cobrar postura, organização e informações do nosso desgoverno, que já cansou de dar motivo pra impeachment e ninguém ainda fez nada.

A essa altura do campeonato não dá pra julgar quem merece ou não tomar a vacina primeiro, quem tá se expondo mais ou menos. Ou se expondo 'de verdade' como eu ouvi por aí. Não dá pra vacinar todos de uma vez, vai ter quem se vacine antes e quem se vacine depois. A gente tem é que brigar pra todo mundo ser vacinado o quanto antes. 

Não dá pra travar guerra civil por causa de vacina porque é isso que aquele boçal que está no nosso Ministério da Saúde quer. Enquanto a gente tá brigando pelo lugar na fila ou pior, tendo gente que nem acredita na vacina, eles continuam no projeto de incompetência bem tranquilos, matando pessoas todos os dias.

Nós, da nossa bolha de privilégios sociais temos sim que fazer o exercício da abnegação e pensar no que é melhor para a maioria, mesmo que ela não nos inclua como prioridade. Isso faz de nós cidadãos e, acima de tudo, humanos. Mas não podemos nos sentir culpados pela porcentagem egoísta, que pensa em nós, mesmo que às vezes, e nos faz sentir aliviados e tranquilos de que o fim desse 'novo normal' está próximo. Isso faz de nós mais humanos ainda.

Desculpem pelo desabafo. Fiquei meio bolada de ter gente questionando o nosso merecimento de ser prioridade ou não na vacina. Só a gente sabe o quanto custou e está custando manter a engrenagem da indústria funcionando nessa pandemia. 

Mas eu entendo a angústia de vocês. No fundo, todos estamos buscando motivos para nos considerarmos prioridade. E tudo bem. Tá tudo bem. 

Escolham bem suas batalhas. Tenham clareza de que estamos na mesma trincheira. Continuem usando máscara e mantendo o distanciamento social. Com muito alquingel. Bêzu.


A foto do Zé Gotinha é só pra te lembrar de dar uma olhadinha na sua carteirinha pra ver se tá tudo em dia, tá?