quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Machistas não passarão! Literalmente.

E ai gataiada do meu Brasil varonil!

Se achou que eu morri, sinto de decepcionar. Tô mais viva barata voadora nesse calor from hell que anda fazendo.

Eu tinha a esperança no meu último post (que se você ainda não leu, crie vergonha nessa cara e leia) de escrever sobre algo mais alegre, mas esse mundo tá todo uma m*r*a mesmo e ai fica difícil.

Vocês acharam que eu ia deixar passar esse tema da redação do ENEM assim, batido? A-do-ro um barraco necessário.

Primeiro, vâmo estudar tá? Cansou a minha enorme beleza esse monte de ignorante com acesso à internet falando de 'doutrinação do ENEM'. Se cês soubesses o que significa 'doutrinação' não tava ocupando minha timeline com essa bobagem. Eu não vi nenhuma questão perguntando se Marx ou se Simone de Beauvoir estavam corretos em suas afirmações, apenas perguntavam o que eles queriam dizer com elas. Interpretar texto é o básico pra quem quer entrar na Universidade né? Isso é tipo o torcedor que quando time ganha, é porque a escalação é ótima, mas quando perde, a culpa é do juiz.
A vida dos vestibulandos atuais já tá beeeeem mais fácil do que os de 7 anos atrás (e me incluo nessa última turma), que tiveram que fazer uma prova pra cada Universidade desejada EEEEE escolher o curso na hora da inscrição e não depois que já se conhecia a nota. Agora não pode cair um 'tema difícil' que o povo já chora na internet? Dá a mão cês querem o braço, molecada!

Eu já disse e repito: a prova do ENEM ter um cunho mais 'social' do que 'teórico' tem seus lados bons e ruins. O lado bom é que começa a colocar na Universidade não só o cara neurótico e ficou babando e decorando livro, mas o que também tiver alguma consciência social, que olha o mundo pra além da janela do seu quartinho. Que tá antenado no que tá rolando. O lado ruim é que o lado teórico está muito de lado e que o cara passa com uma base de ensino médio bem da zuada e isso vira uma bola de neve depois (mas isso é ooooooouuutro assunto). Mas enfim, onde eu tava? Ah, é, no mimi da molecada.

Ai vem a torcida que coloca a culpa no juiz. Sério, se você acha que a violência contra a mulher não seja um assunto a ser discutido na prova do ENEM, é porque você acha que nossos jovens não tem a obrigação de discutir esse assunto em seu convívio comum, é porque você acha OK colocar jovens alienados na Universidade. Quando eu prestei vestibular (há exatos 7 anos recém completados) sabe quantas redações sobre 'meio ambiente' eu escrevi? Meu tema do ENEM (que era nos moldes antigos ainda) foi Amazônia. Sério, os problemas ambientais são igualmente importantes, mas eles são há muito pauta de discussões. Um tema como a violência contra a mulher parar numa prova com a abrangência do ENEM, mostra a evolução da nossa sociedade. Mostra que estamos cada vez mais preparados pra esse tema deixar de ser um tabu, pra ser tratado como um problema social como deve. Mostra que estamos evoluindo como sociedade de certa forma.

Mas ai vem a seleção natural. Sempre tem uma galera que não acompanha a evolução e se Charles Darwin estiver certo, vão acabar se extinguindo em algum momento. Ai eu sou obrigada a ler um monte de coisa na internet, que é 'doutrinação do feminismo', que é 'só vai entrar feminazi esse ano'. Se você realmente acha que violência contra mulher não existe, vai se internar. Porque ou você vive num mundo paralelo e tá bem do tam-tam da cabeça ou você precisa sair mais de casa. E só pra esclarecer, o feminismo NUNCA pregou a superioridade das mulheres, sempre pregou a igualdade entre mulheres e homens. Ai o cara nem sabe interpretar citações, faz uma prova de m*r*a e vai sair falando por ai que a culpa é da prova. Vai estudar, criatura! Sem falar nas pessoas que acham que não tem desigualdade. Sério, bota uma peruca, uma saia, sai na rua 10 minutos e depois me conta.

O que eu quero dizer com tudo isso é: você reclama do país, reclama do governo, reclama do seu vizinho que usa água demais. Mas na hora de você fazer alguma coisa, de você debater assuntos importantes, de você vestir a camisa pra fazer do seu país um lugar melhor, cê vem com esse mimimi vitimista e se omite. Que se o mundo não está discutindo um problema que te diz respeito, então tá tudo errado e o assunto é desimportante. Saiba que a culpa da sociedade estar essa porcaria que está também é sua. E nosso governo corrupto, nossos políticos despreocupados com o próximo e tornar a vida da população melhor, são apenas um reflexo da sociedade escrota que vive nesse país.

Gataiada, espero que vocês tenham perdido seus preciosos minutos com mais esse texto. Até a próxima. Bêzu.

terça-feira, 26 de maio de 2015

Lecionar e a arte de padecer no paraíso...

Olá, gataiada!

Não, eu não morri. E Flavinha, eu não desisti do blog.

Essa semana um vídeo viralizou na internet de um aluno que humilhou a professora em uma cidade no interior de Minas Gerais. Se você ainda não viu, segue abaixo umas das publicações do YouTube:




Eu não sei nem expressar em palavras o que eu senti quando vi esse vídeo. Minha mãe é professora na pré-escola e me lembro claramente de ela me dizer que não largava os alunos de 5/6 anos por nada, porque nessa idade os alunos ainda te respeitavam. E é por ela e por todos os outros amigos professores que resolvi escrever esse post.
Antigamente, a missão da escola era apenas passar conteúdo e te ensinar o que academicamente era considerado que você deveria aprender. Ai resolveram que o papel da escola não era só isso e que além de tudo ela tinha que dar uma formação social. Legal. Bacana. Chuchu beleza. A m*rd* toda começa quando os pais acham que o papel da escola é dar a educação social que é papel deles ensinar. Esquecem que primordialmente a escola te ensina e não te educa.
Bons modos, respeito ao próximo, à autoridade, boas práticas de convívio social quem deve te ensinar são seus pais. Não é só colocar a criança no mundo, jogar na escola que ela vai sair educada. Não tem milagre. 
Voltando à minha época escolar me lembro de ouvir sempre meus pais dizerem "não importa o que aconteça, o professor está certo e você está errada. Ele é quem sabe o que é certo na sala de aula." Tudo bem, papai era um cara meio radical, mas eu aprendi desde cedo que o professor era uma autoridade que eu deveria respeitar tanto quanto respeitava meus pais.
Esse vídeo vai contra tudo que me foi ensinado, Vai contra tudo o que eu sei sobre respeito ao próximo. Esse vídeo beira o absurdo.
Mas o ponto é: em que tipo de mundo esse cara vive pra achar que esse tipo de atitude é aceitável? Que tipo de ensinamento esse cara tem em casa pra achar que é OK humilhar a pessoa que está lá pra ensinar. 
E se ela revidasse? Dissesse tudo o que ele merecia ouvir? Desse uns tapas na cara dele, assim, de raiva mesmo. O Conselho Tutelar já teria rodado a baiana e ela estaria presa uma hora dessas. O garoto? No máximo vai receber uma advertência.
Você fica 4 anos cursando uma graduação. Mesmo sabendo que a profissão é mal remunerada, você se entrega. E definitivamente, não é pra se submeter a esse tipo de coisa que você se forma.
Eu sou do tipo de pessoa que acha que você nasce e tem direito à educação garantido. Ai você dá uma dessa e tem que ser expulso da escola e não ter direito a se matricular em mais nenhuma. Ai você não vai conseguir emprego nenhum porque não tem nem o fundamental completo e vai reclamar comigo de como a vida é injusta e você não teve oportunidade na vida. Teve sim, chuchu e enfiou no nariz. 
Que tipo de crianças estamos criando pro mundo? Que tipo de adulto esse cara vai ser? Que tipo de gente essa geração de pais permissivos, que criam os filhos no carpete, que tem medo de glúten, de açúcar e acham que seus anjinhos são intocáveis estão criando?
E os demais alunos? Que se deram ao trabalho de filmar, mas não pra manifestar qualquer solidariedade à professora e sim pra rir dela, pra contribuir com a humilhação. Não, ele não é um caso à parte. Qualquer um dos que riram dela poderia ter feito a mesma coisa. Um riso que manifesta total desprezo pela profissão do professor. Um riso de quem não respeita o profissional. O riso de quem provavelmente não terá respeito por nada ao longo da vida.
Pais, pelo amor de Deus, parem de achar que seu filhinho é especial e que se ele faz alguma mal-criação ele é "hiperativo". Eduquem seus filhos, isso não é papel apenas da escola, a maior parcela da responsabilidade é de vocês. Ensinem ao menos o básico, o respeito ao próximo. E se você não é capaz disso, por favor, não tenha filhos. 

Esse post infeliz foi um desafabo pela minha mãe. Pela minha tia Andrê. Pela minha amiga Ligia. E por todos os professores que passaram pela minha vida. Que vocês nunca tenham que passar por esse tipo de humilhação. Que esse texto seja a manifestação do merecido respeito que tenho pela profissão de vocês. 

Um abraço, gataiada! Que o próximo post seja mais feliz que esse! 

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

#JeSuisCharlie no Hebdo dos outros é refresco!

E ai gataiada!

Cês já tavam morrendo de saudade?? Não? Tudo bem. 2014 foi um ano meio punk, mas eu sobrevivi. E me formei. E arrumei um emprego. Enfim, vâmo pro que interessa.

Eu sempre achei que religião é o tipo de coisa com a qual não se brinca, sabe? É uma coisa muito pessoal e que deveria ser respeitada. Eu respeito muito a religião dos outros, até daqueles que insistem em bater na minha porta no domingo de manhã, tentando "me apresentar Jesus de uma outra forma". Sério.

Por conta dessa minha visão, Charlie Hebdo pra mim é um jornal de extremo mal gosto, quando satiriza coisas relacionadas à fé. Não há pecado algum em satirizar costumes e política, mas religião é uma coisa muito séria e mexe demais com as pessoas pra você ficar fazendo piada ao seu bel prazer. A religião muitas vezes torna as pessoas melhores, mas também faz com que elas tenham atitudes extremas em nome daquilo que acreditam. Se você lembra das suas aulinhas de História, as Cruzadas, a Santa Inquisição são exemplos fáceis nos quais a fé moveu o mundo durante muito tempo.

Entretanto, eu também defendo com unhas e dentes a liberdade de expressão e acredito que mesmo não concordando com a postura do Charlie sobre a fé ele tem o direito de escrever o que bem entende e ser respeitado por isso e se você não gosta, então que não compre seus exemplares. Juntando esses dois pontos de vista, também não podemos condenar os dois rapazes que abriram fogo contra o jornal. Não, eu não estou incitando a violência, mas pense comigo: para a fé deles, a postura do jornal para com o Profeta é passível de morte, e em nome dessa fé eles abriram fogo contra o jornal. 

Foda. Uma merda. Tem maneiras muito melhores de se resolver conflitos por ai, mas não podemos ser hipócritas de compartilhar hashtags defendendo um jornal que se falasse mal da SUA fé você também ficaria puto da vida, em nome da tal da liberdade de expressão e condenarmos a liberdade de expressão daqueles que não concordam com uma postura considerada extremamente herege do ponto de vista da sua religião. Mais uma vez, não precisava ter matado a galera, né? Maaaaasss, voltemos a nossas aulinhas de História e talvez consigamos compreender (e eu JAMAIS quero dizer ACEITAR) um pouco melhor essa força que moveu esses dois rapazes.

Mas eu quis escrever esse post, além de abrir as mentes pra essa discussão de tentar ver o outro lado, pra condenar com todas as minhas forças a hipocrisia facebookeana que eu tive que aguentar durante esse rebuliço todo. Todo mundo defendendo o Charlie Hebdo com unhas e dentes, como se fossem leitores assíduos e defendendo piamente essa tal de liberdade de expressão como se fossem as pessoas com as mentes mais abertas do planeta. É só lembrarmos da baixaria que eram as postagens relacionadas à corrida eleitoral em outubro passado, pra termos plena certeza de que "respeito" não é exatamente o que move algumas opiniões por ai.

Pra começo de conversa, um jornal como o Charlie Hebdo não existiria no Brasil. Ele seria censurado no primeiro exemplar. Temos uma população extremamente preconceituosa sob muitos aspectos - racial, social, cultural - e além da audiência ser pouca, se ele quisesse sobreviver nesse país, teria que satirizar tudo de maneira muito polida e politizada, porque temos mania de fazer "piada de preto e de viado" no churrasco, mas processamos humoristas porque somos politicamente corretos. Achamos o máximo dizer que queremos controlar as cenas sensuais exibidas na TV, mas achamos OK as pessoas desfilarem seminuas (ou semivestidas) no Carnaval, seja na TV ou nas ruas. Charlie Hebdo jamais seria tão aberto no Brasil como é na França. Somos um país hipócrita, defendemos a liberdade de tudo, desde que nos convenha. E não me venha querer me convencer do contrário. 

E como eu não sou o tipo de pessoa que sai apontando o dedo por ai sem mostrar os fatos, as mesmas pessoas que encheram minha timeline de #JeSuisCharlie desceram o cacete no Papa Chico quando ele disse que se alguém ofendesse a mãe dele lhe seria desferido um soco. UEEEEEEEPAAAA!!!! Então os nossos assíduos defensores da liberdade de expressão estão condenando a liberdade de expressão do Papa?! Mais uma vez, Papa Chico nos mostrou que ele não é Deus, e que está muito mais próximo dos Homens do que d'Ele e ao invés de as pessoas entenderem que ele é um elo entre nós e o Digníssimo, não, neguinho vai lá e fode com a minha paciência dizendo que o Papa está incitando a violência, porque o cara é o Papa e blá blá blá. 

Então, meu benhê, você tem que se resolver, ou defende a liberdade de expressão ou não. Ficar nessa putaria é que não dá. Ou o seu #JeSuisCharlie vale pra todos os Hebdos do mundo, ou não vale pra nenhum.


Espero que os faça pensar um pouquinho no assunto e continuem frequentando esse blog mesmo se esse post cutucar alguma ferida sua. É em nome do mais puro #JeSuisCharlie que mantenho minhas opiniões por aqui. Besos!