segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Morte do Champignon: reflexão sobre suicídio e rock'n roll

Hoje o post não começa animado porque a notícia é triste.

Antes de mais nada, quero esclarecer algumas coisas:

1) Eu não sou fã do Charlie Brown e isso não quer dizer que eu não goste da banda. E nem que eu goste. Sei lá. É uma banda que nunca fez parte da minha playlist, mas também não estava na lista daquelas que eu faço piada no facebook, entende? Não é o que interessa. O que interessa é a reflexão sobre o que aconteceu.
2) Esse não será um post criticando o Chorão porque ele usava drogas e nem Champignon por ter cometido suicídio. Será uma reflexão sobre o que aconteceu.
3) Esse também não será um post de homenagens póstumas, dizendo que os caras eram herois, cheios de hashtags 'luto eterno' ou 'família CBJr'. Será uma reflexão sobre o que aconteceu.

Ficou claro? Ótimo. Não quero ser apedrejada pelos fãs em luto sincero.

Bom, mas se eu não sou fã da Banda porque raios eu estou escrevendo esse post? Porque a morte dele (independente de quem ele era) e a maneira como as coisas aconteceram me trouxeram muitas coisas à cabeça. Obviamente, pude trocar algumas ideias com algumas pessoas que realmente curtiam a Banda, outras que não curtiam, antes de escrever, pra estimular minha mente a refletir mais um pouco.

Pra mim, o suicídio é um grande ato de desespero, é o resultado de toda sua frustração com o que está acontecendo, num ponto que você passa a acreditar que o problema está em você e se você é o problema, então deve ser eliminado. Mas também é um ato de egoísmo. Você simplesmente resolve se matar, seja pelo motivo que for, e não pensa em ninguém. Não pensou na filha pequena, nem no que está pra nascer e nem na esposa grávida. Nem nos seus pais, amigos, só em você mesmo. Só pensou em como o seu problema/frustração/angústia te faz mal e resolveu se eliminar por isso.

Quando o Chorão morreu, Champignon disse "Ele perdeu a fé. Em algum momento perdeu a fé." Aconteceu o mesmo com ele. Ele perdeu a fé. Talvez não tenha superado a morte do amigo, talvez estivesse em depressão por conta disso. Pode ter sido qualquer motivo que só ele sabe. Mas o que me fez pensar é que essa tal de felicidade parece não tão fácil de alcançar ou então que as pessoas querem uma felicidade inalcançável. E isso gera uma frustração atrás da outra até que você não aguenta mais se frustrar e perde a fé. A fé em você mesmo, nas suas qualidades, nas pessoas, no futuro. Simplesmente perde. E junto com a fé perde a vontade de viver. E mais do que nunca, procurar felicidade nas pequenas coisas da vida torna-se fundamental para que mantenhamos a fé.

Eu sei que podem julgar os suicidas como covardes que não tiveram peito de encarar os seus problemas. É muito fácil falar. Talvez você nunca tenha tido uma frustração de verdade na vida. Talvez sua maior tristeza tenha sido uma nota baixa. Sorte a sua. Mas não use a sua sorte para tomar os outros como covardes. Todo mundo se cansa um dia. Em algum momento você é vencido pela exaustão. Você cai e se levanta tantas vezes que uma hora você cai e fica lá, jogado no chão da vida, sem saber o que fazer com ela. Sem saber o que fazer de si mesmo. E nessas horas as pequenas felicidades da vida entram em cena pra te fazer ver que a vida vale a pena, pra restaurar a sua fé. Mas nem sempre essas pequenas felicidades são suficientes, às vezes elas são tão pequenas porque o seu ideal de felicidade é tão utópico que a disputa torna-se desleal.

Nesse caso específico do Champignon, há um agravante: o cara era de uma banda de rock. É pessoal, só quem gosta do estilo (como eu) e não usa drogas (como eu também, sem moralismo babaca, é só um fato) sabe do que eu estou falando. Sim, ser tachada de drogado e satanista só por gostar de rock foi algo comum na minha adolescência até eu descobrir o poder de um 'vai tomar no c*'. E o mundo não mudou por isso. O Chorão morreu de overdose e sempre tem um safado que solta que isso é comum "pra quem gosta desse tipo de coisa (coisa=rock)". Porque gente ignorante pensa assim "se é rockeiro é drogado". Véi, tem muita gente que canta sertanejo, pagode, axé (ou você acredita que o cara ficar 4h pulando no trio elétrico é 'muita academia e água durante o ano todo'?), arroxa e também usa droga. Em qualquer meio social tem gente que usa droga, sejam ele de artistas ou não. Mas também tem muita gente que não usa, então não dá pra generalizar. E eu não tô 'defendendo a classe' só porque é eu gosto de rock. É que eu não gosto de preconceito mesmo.


E o que mais me irrita é o forfé que a mídia sensacionalista de m*r*a faz ao redor disso. A Nina Lemos (do Yahoo) escreveu um pequeno texto bem bacana sobre isso e eu resolvi finalizar meu post com o último parágrafo do texto dela:

"Desde que o rock é rock o mundo adora esse tipo de história. A indústria de celebridades e fofocas só piorou (e muito) tudo isso. O corpo dos heróis que morreram de overdose, ou suicídio, não importa, não são poupados. Assim como todos os detalhes horríveis. A dor da família. A esposa grávida. A irmã indo reconhecer o corpo no IML. Para quem gosta de terror, é só acompanhar o noticiário. Julgar o rapaz. E dormir em paz no fim do dia pensando: ainda bem que não foi comigo."

É isso ai, pessoal. Espero que tenham gostado da reflexão e entendido a minha intenção ao usar o Champignon para impulsionar minha mente. Até o próximo post.


Nenhum comentário:

Postar um comentário