terça-feira, 27 de janeiro de 2015

#JeSuisCharlie no Hebdo dos outros é refresco!

E ai gataiada!

Cês já tavam morrendo de saudade?? Não? Tudo bem. 2014 foi um ano meio punk, mas eu sobrevivi. E me formei. E arrumei um emprego. Enfim, vâmo pro que interessa.

Eu sempre achei que religião é o tipo de coisa com a qual não se brinca, sabe? É uma coisa muito pessoal e que deveria ser respeitada. Eu respeito muito a religião dos outros, até daqueles que insistem em bater na minha porta no domingo de manhã, tentando "me apresentar Jesus de uma outra forma". Sério.

Por conta dessa minha visão, Charlie Hebdo pra mim é um jornal de extremo mal gosto, quando satiriza coisas relacionadas à fé. Não há pecado algum em satirizar costumes e política, mas religião é uma coisa muito séria e mexe demais com as pessoas pra você ficar fazendo piada ao seu bel prazer. A religião muitas vezes torna as pessoas melhores, mas também faz com que elas tenham atitudes extremas em nome daquilo que acreditam. Se você lembra das suas aulinhas de História, as Cruzadas, a Santa Inquisição são exemplos fáceis nos quais a fé moveu o mundo durante muito tempo.

Entretanto, eu também defendo com unhas e dentes a liberdade de expressão e acredito que mesmo não concordando com a postura do Charlie sobre a fé ele tem o direito de escrever o que bem entende e ser respeitado por isso e se você não gosta, então que não compre seus exemplares. Juntando esses dois pontos de vista, também não podemos condenar os dois rapazes que abriram fogo contra o jornal. Não, eu não estou incitando a violência, mas pense comigo: para a fé deles, a postura do jornal para com o Profeta é passível de morte, e em nome dessa fé eles abriram fogo contra o jornal. 

Foda. Uma merda. Tem maneiras muito melhores de se resolver conflitos por ai, mas não podemos ser hipócritas de compartilhar hashtags defendendo um jornal que se falasse mal da SUA fé você também ficaria puto da vida, em nome da tal da liberdade de expressão e condenarmos a liberdade de expressão daqueles que não concordam com uma postura considerada extremamente herege do ponto de vista da sua religião. Mais uma vez, não precisava ter matado a galera, né? Maaaaasss, voltemos a nossas aulinhas de História e talvez consigamos compreender (e eu JAMAIS quero dizer ACEITAR) um pouco melhor essa força que moveu esses dois rapazes.

Mas eu quis escrever esse post, além de abrir as mentes pra essa discussão de tentar ver o outro lado, pra condenar com todas as minhas forças a hipocrisia facebookeana que eu tive que aguentar durante esse rebuliço todo. Todo mundo defendendo o Charlie Hebdo com unhas e dentes, como se fossem leitores assíduos e defendendo piamente essa tal de liberdade de expressão como se fossem as pessoas com as mentes mais abertas do planeta. É só lembrarmos da baixaria que eram as postagens relacionadas à corrida eleitoral em outubro passado, pra termos plena certeza de que "respeito" não é exatamente o que move algumas opiniões por ai.

Pra começo de conversa, um jornal como o Charlie Hebdo não existiria no Brasil. Ele seria censurado no primeiro exemplar. Temos uma população extremamente preconceituosa sob muitos aspectos - racial, social, cultural - e além da audiência ser pouca, se ele quisesse sobreviver nesse país, teria que satirizar tudo de maneira muito polida e politizada, porque temos mania de fazer "piada de preto e de viado" no churrasco, mas processamos humoristas porque somos politicamente corretos. Achamos o máximo dizer que queremos controlar as cenas sensuais exibidas na TV, mas achamos OK as pessoas desfilarem seminuas (ou semivestidas) no Carnaval, seja na TV ou nas ruas. Charlie Hebdo jamais seria tão aberto no Brasil como é na França. Somos um país hipócrita, defendemos a liberdade de tudo, desde que nos convenha. E não me venha querer me convencer do contrário. 

E como eu não sou o tipo de pessoa que sai apontando o dedo por ai sem mostrar os fatos, as mesmas pessoas que encheram minha timeline de #JeSuisCharlie desceram o cacete no Papa Chico quando ele disse que se alguém ofendesse a mãe dele lhe seria desferido um soco. UEEEEEEEPAAAA!!!! Então os nossos assíduos defensores da liberdade de expressão estão condenando a liberdade de expressão do Papa?! Mais uma vez, Papa Chico nos mostrou que ele não é Deus, e que está muito mais próximo dos Homens do que d'Ele e ao invés de as pessoas entenderem que ele é um elo entre nós e o Digníssimo, não, neguinho vai lá e fode com a minha paciência dizendo que o Papa está incitando a violência, porque o cara é o Papa e blá blá blá. 

Então, meu benhê, você tem que se resolver, ou defende a liberdade de expressão ou não. Ficar nessa putaria é que não dá. Ou o seu #JeSuisCharlie vale pra todos os Hebdos do mundo, ou não vale pra nenhum.


Espero que os faça pensar um pouquinho no assunto e continuem frequentando esse blog mesmo se esse post cutucar alguma ferida sua. É em nome do mais puro #JeSuisCharlie que mantenho minhas opiniões por aqui. Besos!

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