quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Experiência de Estágio

Gataiada do meu Brasil!


Atendendo a mais pedidos (dessa vez é verdade! HAHAHAHA), farei um post com as ideias que o pessoal me mandou via Facebook. O escolhido da vez foi meu estágio curricular, que despertou a curiosidade não só dos ‘meus’ bixos, como também de muitos amigos de fora da UFSCar.

Well, pra quem ainda não sabe, meu curso é estruturado da seguinte forma: você tem 6 meses destinados ao estágio, no qual você não cursa nenhuma disciplina e pode trabalhar em tempo integral (8 horas diárias). Essa é a ÚNICA condição que uma empresa de aceita trabalhando 8 horas, pela Lei do Estágio vigente você só pode fazer 6 horas caso esteja cursando alguma disciplina. Bom, na Engenharia de Materiais, as opções são: ou você sai no 8º ou no 9º semestre pra estágio.

Na minha opinião, é muito inteligente da sua parte se fizer estágio no seu 8º ou 9º semestre DE VERDADE, isto é, faltando 1,5 ou 1 ano pra se formar e não no 8º e 9º semestre a partir do ingresso na Universidade (deu pra entender o que eu quero dizer?), por duas razões: primeira, depois que você sai pra estagiar e tem que voltar pra Universidade (esse nosso sistema nos obriga a isso) você não tem o MENOR SACO pra ficar tendo aulas. Eu sei do que eu tô falando. Você já viu os parangolê na prática, viu que ainda existe um gap entre algumas coisas ensinadas na Universidade e a vida real; sem falar que o ritmo de empresa é outro e você ‘desacostumou’ com o ritmo de estudar e tal. Paciência, adapte-se de volta. A segunda razão é que quanto mais perto de se formar você estiver quando for fazer estágio melhor será pra você! Porque você pode emendar mais 6 meses ou mesmo 1 ano de estágio parcial (pra terminar de cursar as disciplinas, que serão poucas ao final real do seu curso) e quem sabe partir pra uma efetivação! E mesmo que não role de ser contratado, tem 1 ano ou 1,5 anos de estágio em uma empresa é bem legal pro seu currículo. Esse tipo de coisa te diferencia das outras pessoas com a mesma formação. É, meus amados nerds neuróticos por notas, sinto lhes dar essa notícia. Claro que ser bom aluno é FUN DA MEN TAL, o que eu quero dizer é que não é só isso que vai te garantir uma colocação legal no mercado de trabalho, é o que você fez além da Graduação que faz a diferença.

Mas isso são devaneios. Vâmo pro que interessa. Eu fiz estágio numa multinacional, a 3M do Brasil (se você não faz idéia do que é a 3M, clique aqui), no site de Itapetininga (se você não faz idéia de onde fica, procura no Google Maps que você vai descobrir que é longe pra dedéu de San Charles.). Pra um engenheirando é bem legal fazer estágio numa multinacional, mais ainda numa como a 3M, eleita uma das empresas mais inovadoras do país e famosa por seus produtos de qualidade.

Lá em Itapê (como é carinhosamente chamada) funcionam duas Divisões da 3M: a de Fitas (que eu não sei como é chamada ‘oficialmente’) e a PSD (Personal Safety Division), que é onde eu trabalhava. PSD basicamente faz produtos destinados à proteção individual, ou seja, protetores auriculares, capacetes e óculos de segurança. Isso é o que se chama de Head&Face Protection. A outra ‘metade’, Body Protection, que comporta a linha de vestimentas não é feita lá e não me pergunte onde é.

Além disso, eram produzidos lá produtos para a própria 3M, que iriam para outras fábricas, como as embalagens da linha de curativos Nexcare®, por exemplo. Ao todo são 13 injetoras trabalhando em 3 turnos de 8 horas.
Os principais polímeros utilizados são: policarbonato, polietileno, polipropileno e poliestireno.  As principais coisas que eu fazia envolviam reutilização e/ou reciclagem de matérias-primas e melhorias de processos. Havia dois engenheiros comigo, o André e o Rodrigo e eram eles que me ‘orientavam’ no estágio diretamente.

Eu fiquei lá durante um ano, sendo os últimos 6 meses de estágio parcial. Apesar de ser um ‘lugar que injetava coisas’ eu era a única com formação em Engenharia de Materiais, então eu sentia que eu tinha muita coisa pra contribuir lá. Aprendi muita coisa de processos e de comportamento coorporativo, além de conhecer pessoas incríveis. Consegui identificar pontos que hoje eu considero falhos na minha formação, como por exemplo, um ‘intensivão’ de ferramentas de qualidade, coisas que os Engenheiros de Produção manjam de cor e salteado e eu nem sabia do que se tratava antes de entrar na 3M. Provavelmente eu faça cursos por conta nessa parte da Engenharia. Apliquei muita coisa que eu aprendi! Siiiim, se você ainda acha que a teoria é inútil, vai fazer outra coisa da vida.

Mas, nem tudo são flores. Tinha coisa que eu não gostava. Burocracia era uma delas. Empresa adora papel, é uma coisa impressionante. Sou uma pessoa prática, papel não é pra mim. Tudo tinha que ter autorização do Papa, com 3 vias assinadas e firma reconhecida (rsrsrs). E por isso algumas coisas demooooooooooooooooooooooram. Eu não sou a definição de paciência, né?

Mas ai você me pergunta: Bruuuuuna, se era tão legal, por que você saiu? Se você está perguntando isso é porque não acessou o Google Maps. O que me fez ‘bater o martelo’ foi a distância e o número de créditos que eu ainda precisava fazer pra formar, já que abri mão de alguns deles pra fazer estágio parcial. Só eu sei o quão doído foi me despedir de todos no último dia. Não chorei, tinha uma reputação a zelar! HAHAHAHA

No meu estágio, além das coisas que eu já falei que descobri profissionalmente, ainda tiveram os aspectos pessoais. Conheci pessoas que eu passei a admirar, que ‘adotaram a estagiária fedelha’ e me davam muitos conselhos, tanto profissionais, quanto pessoais. É difícil estar tão longe de casa, mesmo pra mim que já abandonou papai e mamãe pra fazer faculdade e é muito bom sentir sinceridade na palavra das pessoas. Sentir que elas estão falando tudo aquilo porque querem o seu bem, querem te ver crescer e melhorar. Isso desde os Engenheiros, aos Patrulheiros (Guardas-Mirins, Menores-Aprendizes ou qualquer outro nome que se dê por ai). Esses são um parágrafo a parte.

Descobri que tenho uma vocação forte pra trabalhar em chão de fábrica! Já sabia que meu lado industrial é mais forte que o acadêmico, mas ter certeza sobre si mesmo é muito bom! Sem falar na experiência incrível. Lembro que quando eu cheguei, os operadores (das máquinas) me olhavam meio de rabo de olho, tipo ‘quem é essa fedelha?’ (era esse o termo, sem zueira), ‘o que ela tá fazendo aqui?’. Ganhar a simpatia deles foi fundamental pra que eu tivesse sucesso. Tive que mostrá-los que eu não estava lá pra brincadeira e que eu era capaz (apesar da idade) de promover mudanças. Chamo-os de operadores, mas eles eram em sua maioria mulheres e definitivamente elas foram mais difíceis de conquistar. Elas não ‘me deram mole’ no primeiro sorriso, nem no primeiro ‘bom dia’, mas choraram no último dia. Vai entender. Dividiram suas vidas comigo, me falavam dos filhos, dos maridos, dos planos pro futuro, do que esperavam. Os rapazes também eram ótimos! Tive aulas infinitas de manutenção de moldes com o Renê e o Julio! HAHAHAHAHAH Aprendi tudo o que deu sobre set-up e era através deles que eu conseguia identificar a maioria dos pontos de melhoria da fábrica, afinal, eram eles que viviam aquilo todo dia!


Eu não podia escrever sobre meu estágio sem mencionar os Patrulheiros, William e Darly. Bom, se eu fui ‘adotada’, também ‘adotei’, porque eu não sei o que seria da vida desses dois sem mim! Quando chegavam com "Bruniiinha do meu coraçããããão!" eu já sabia: tinha feito merda e tava arrependido. Às vezes eles queriam conselhos de 'irmã mais velha' e às vezes só um ombro amigo pra chorar as pitangas. Até conselhos profissionais eu dei! HAHAHAHAHAHAH Alguém tinha que dar um rumo à vida desses meninos, né? Morro de saudades de vocês e espero que estejam lendo esse post.

Gostei muito de estagiar lá e quem sabe um dia eu não volte, né? A gente nunca sabe do dia de amanhã. Meu estágio promoveu mudanças em mim que são nítidas a qualquer um que me conhece. E é isso que importa, a troca entre você e seu estágio. Dê tudo de si e arranque as melhores coisas que você conseguir. Porque é isso que fica. 

Pra quem ainda não sabe, estou estagiando agora no Centro de Caracterização e Desenvolvimento de Materiais - CCDM e é um universo bem diferente e isso é maravilhoso. Agregar experiências diferentes é bom. Certamente, ao final desse estágio eu também estarei diferente e é isso que fará de mim uma profissional melhor.

Espero que tenham gostado! Aguardo os comentários sobre as experiências de vocês com seus respectivos estágios! Se quiserem saber mais 'tecnicamente' sobre meu estágio, não hesite em perguntar! Besos.

Um comentário:

  1. Bom bru eu nunca estagiei como vc sabe...mas eu adoro saber sobre a 3m...e parabens por todo seu esforço e dedicação...

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