quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Crianças, mesada e a educação moral dessa cambada.

Gataiada do meu Brasil!

Enquanto o Cactus tá de bunda molisse em me mandar fotos e vídeos, aqui vai um post pra vocês são se esquecerem que o BTB existe.

Tava rolando por esses dias a imagem de uma planilha criada por um pai de Rondônia para calcular a mesada dos filhos. Se você não viu, clique aqui.
Primeira observação, o cara é japonês, isso só comprova a minha teoria de que asiáticos tem poderes especiais.
Pra vocês terem uma ideia do tamanho da repercussão, além de um monte de compartilhamentos no facebook ainda saiu uma matéria numa revista de Educação sobre isso.

E ai é claro que deu babado, né?

Um monte de gente elogiando o cara, mas muita gente criticando, achando que ele tava "comprando a obediência dos filhos", usando como moeda de troca e bla bla bla. Mas o que eu, que não sou mãe nem educadora tenho a ver com isso? Nada, mas isso não me impede de falar o que eu acho sobre isso.

Mais do que pagar os filhos pra que eles aprendam desde cedo a lidar com dinheiro (o que eu acho bem legal), ele ensinou uma coisa que muito marmanjo barbado deveria saber: nossas más atitudes tem consequências. E eu não o reprimo, afinal, no mundo dos adultos, as pessoas são recompensadas em dinheiro por bons trabalhos e todo mundo concorda que muita gente só começa a mexer a bunda pra promover mudanças quando se sente lesada financeiramente.

Vou dar o exemplo que dei pra minha amiga Helô (que teve seu facebook como inspiração pra esse post): Pense comigo. Seu pai dá mesada pra vocês dois. Você é uma menina fofa e educada e seu irmão é um demônio em forma de criança. Bate na professora e tudo. Você acha certo vocês dois ganharem a mesma mesada? O que vai estimular você a continuar se comportando bem se o seu irmão não for punido? O que vai estimular ele a se comportar melhor se ele não ver que você é recompensada por se comportar bem? Claro, que algumas coisas não são mais que a nossa obrigação (tipo passar de ano, ser educado), mas coisas do caráter, que vai separar os adolescentes insuportáveis dos seres humanos de verdade, tem que ser julgado sim!

Como a própria reportagem diz, os pais tem que observar como a criança recebe esse tipo de aprendizado, pra que ela não ache que as suas ações tem que ter recompensa sempre. O nome disso é cachorro, gente, filho é outra coisa.

E a Helô fez um comentário que resume mais ou menos o que eu queria dizer:
"E é uma punição não física. Se o pai não enche a criança de joguinho pro PS3 e fala 'ok, vc vai comprar com sua mesada', o pirralho vai começar a ver que em vez de esperar 3 meses pra comprar GTA, ele vai ter que esperar 4, porque perdeu dinheiro sendo mal educado.
Eu não acho nada demais, afinal, o mundo é assim, não é?
Eu vejo, além de educação pessoal, como uma educação financeira o que esse pai fez. Achei bem legal."

Eu não achei uma criança com milhares de joguinhos de PS3, mas achei essa, que também é legal.

E a ideia é essa mesmo. O pai mesmo diz que eles "relevam" algumas coisas pra não acabarem o mês devendo, afinal, não é essa ideia.

Na minha humilde opinião (não sou mãe e muito menos educadora, é bom reforçar essa parte), não há um jeito certo de educar os filhos. Uma mãe não consegue nem educar dois filhos do mesmo jeito (se você tem irmãos, sabe do que eu tô falando), criando-os juntos, imagine um consenso geral. A educação de uma criança depende dela também. Tem criança que desafia os pais até o limite, ai leva umas palmadas e o Conselho Tutelar cai matando. Tem criança que num olhar entende que aquilo é errado. Talvez ela jamais precise de um tom de voz mais alto e muito menos de umas palmadas. E desde cedo nós devemos aprender que tudo o que fazemos gera consequências. Uma punição não-física? SEN SA CI O NAL!

Ao invés de olhar o desconto na mesada como moeda de troca e bla bla bla, que tal olhar do ponto de vista que você está ensinando seu filho que você está dando um voto de confiança pra ele (mesada) e que as más ações dele são punidas com desconto e as boas favorecem o "não desconto". Acrescento à comparação com o "mundo dos adultos" que se não fosse o dinheiro ninguém se esforçaria a estudar, ninguém investiria em especializações, ninguém daria o melhor de si e ia querer ser promovido, ninguém faz essas coisas só pelo bem estar pessoal, é porque ganha mais. E isso não é errado. Obviamente não precisamos ser porcos capitalistas, mas os acomodados tendem a cair na mediocridade.

Tudo bem, eu sei que tem criança que nasce possuída, mas criança mal educada é responsabilidade dos pais! Se ele quer ganhar tudo no grito, se bate nos colegas na escola, na professora, se não te respeita, se vai crescer e achar que seu papel no mundo é só satisfazer as vontades dele, meus caros, isso vai doer, mas a culpa é sua! Ninguém nasce com limites, você tem que mostrar pro seu filho que o mundo é maior que o umbigo dele.

Posso ouvir ela berrando, credo.

Helô fez outro comentário sensacional:
"E boa parte disso se deve aos pais, que terceirizaram a educação dos filhos, e eu diria que até a esse bla bla bla de não pode bater em criança. Ok, não espanque uma criança porque você pode matá-la, mas um puxão de orelha e um tapa na hora certa não mata ninguém.
Eu apanhei muito pouco. Da pra contar em uma mão quantas vezes meus pais me deram uma palmada. Eu lembro de todas e lembro o motivo. E nunca mais repeti.
Pode ter sido por medo na época. Mas querer que uma criança filosofe sobre o que é certo e errado no mundo, com 6 anos de idade, é exigir demais das capacidades cognitivas do pirralho. Com o tempo, você descobre o porquê apanhou, e sabe que foi certo."

A cara dele de que não mereceu, coitado. Só que não, né.

Não tô fazendo nenhuma campanha pra baterem nos seus filhos, pelo amor de Deus! Só tô reforçando que não tem como arrumarem um consenso pra educação certa e errada. Cada caso é um caso e ninguém é ninguém pra julgar o outro pela educação dos filhos. O que importa é se seu filho vai ter bom caráter, respeito ao próximo, honestidade, responsabilidade e a certeza de que a órbita universal não tem centro no imbigo dele, porque é disso que esse mundo precisa.

Então minha gente bonita, era isso que eu tinha pra falar. Segurem a emoção ai que o post sobre a Dança vai sair, faltam só as fotos! Do mais, quero saber o que vocês acham e pensam sobre a educação dos pirralhinhos, afinal, eles são o futuro dessa sociedade perdida que é a nossa! HAHAHAHAHAHAH

Por favor, peço aos meus amigos comentaristas assíduos que comentem no blog e não no facebook, porque a ideia é abrir uma discussão aqui e não lá.

Espero que tenham gostado. Au revoir. Besos.

2 comentários:

  1. Eu achei a idéia desse cara muito boa. Não acho que o pai esteja comprando obediência dos filhos, mas vejo isso como uma oportunidade de as crianças aprenderem que suas ações, ou a falta delas, terão suas consequências no futuro. (Sério, tenta explicar pra criança que os dentes dela vão cair daqui a 60 anos se ela não escovar o dente hoje. Agora tire um pouquinho da mesada, e quando ela perguntar porque diga que é pra ela entender que se ela não escovar os dentes isso pode acontecer. "Não é pelos R$0,50, é pela lição moral.")
    Eu acho meio óbvio que isso deve ser aliado à conversa com as crianças onde, aí sim, vai estar o verdadeiro processo de educação e crescimento. É isso que não vai "capitalizar" a educação deles; e é um pouco de estupidez achar que o moço pregou esse cartaz na parede de casa como única forma de educar os filhos.

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  2. Achei demais a ideia dele, e se tivesse filhos usaria isso aliado a educação. Acho muito "varzea" o modo como as crianças vivem nos dias de hoje, os pais dão muito espaço e escolha para a pirralhada. Sou à favor da palmada sim, apanhei e agradeço por isso, minha mãe era chata, queria as coisas certinhas, e meu pai então, com ele era outro nível, era só olhar e eu já entendia certinho. Quando os adultos tavam conversando, eu tinha que esperar quietinha do lado e pedir licença quando alguém desse uma brecha, hoje em dia conheço pais que param a conversa com o adulto e fica escutando as conversas fiadas das crianças, tudo tem seu momento, claro que eu acho que os pais devem ouvir seus filhos, seus medos, afinal suas expressões, mas no meio de um jantar com os amigos adultos dos pais não é o momento para isso! Coisa que me deixa irritadíssima é criança mal educada aff... poderia ficar citando exemplos o dia todo aqui!
    Esse pai tá certo, e como disse a Bru, na vida adulta, as pessoas fazem as coisas por dinheiro, então aprendam desde cedo!

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