Olá pissoas!
Cês tão bonzinho?
Hoje é Dia das Crianças, ie, mais uma data comercial pra estimular a obrigação social de dar presentes em datas aleatórias. Mas essa não é a polêmica de hoje.
A Mariana Xavier postou no canal dela um vídeo sobre um tema que eu queria ter falado aqui há bastante tempo, então clica no link porque vale a pena assistir.
Ela chama uma reflexão sobre os impactos da nossa infância naqueles que somos como adultos. E, claro, nem eu nem ela somos profissionais de psicologia, tudo que foi dito no vídeo e o que eu escrever aqui são frutos da minha própria reflexão e de muita terapia.
Você que me conheceu depois de adulta, pode não acreditar no que eu vou dizer, mas eu era uma criança super sensível. Se você gritasse comigo provavelmente eu sairia chorando sem pensar duas vezes. Eu também era uma criança tranquila. Dizem os relatos que se você me deixasse brincando por horas, lá eu ficaria. Se eu apanhasse de outra criança eu não esboçava reação de revidar, e geralmente eu chorava.
Fofo, né?
Não pra quem estava do lado de cá. A frase que eu mais ouvia 'você é muito chorona, não pode falar nada!'. Inclusive, até a idade adulta, esse pequeno 'detalhe' foi motivo de chacota na minha família. O resultado? Uma vida toda me esforçando bravamente pra esconder o que sentia e respirando cada vez mais fundo toda vez que as lágrimas queriam vir. Ao longo dos anos desenvolvi um raciocínio rápido, capaz de ter uma resposta pronta na ponta da língua. Aquela criança que não revidava, hoje não deixa nada passar batido, gosta de uma boa briga e muitas vezes ultrapassa o limite do quanto pode magoar alguém em uma discussão. E a pior parte é que quase nunca se arrepende. E minha terapeuta que lute.
E as mesmas pessoas que faziam chacota dizem que eu tenho que controlar meu 'gênio forte'. Acho que elas não se deram conta da responsabilidade que tem nessa história. Porque esse negócio de psicologia infantil é coisa de criança Nutella, né? #ironia
Minha infância teve certamente mais momentos felizes do que tristes, o parágrafo acima é um fato pontual, porém muito marcante na minha personalidade. E se eu, que tive uma infância privilegiada, estrutrura familiar, comida na mesa, colégio particular, família unida igual a da propaganda de margarina, tento todos os dias me livrar de alguns 'traumas' da minha infância que claramente refletem naquela que sou hoje, imagine quem não teve.
Se você, assim como eu, teve a oportunidade de visitar o colégio que estudou quando era criança, provavelmente olhou pra tudo aquilo com certa estranheza, porque nas suas lembranças aquele lugar era muito maior do que de fato ele é. Isso é um exemplo simples de como coisas insignificantes pra nós pode ter uma proporção muito maior para as crianças.
Use esse dia para refletir sobre o impacto que você tem sobre as crianças ao seu redor. Pelo amor da deusa, não faça comentário do tipo 'engole o choro!', 'homem não chora' ou o clássico 'apanhei e não morri'. Não obrigue crianças a terem gestos de afeto com adultos que elas não querem. E nem dê a entender coisas do tipo 'você tem que obedecer porque é criança!'. Isso deixa elas a mercê dos mais variados tipo de abuso. Nós somos os adultos, nós temos raciocínio crítico, a responsabilidade é nossa.
Nunca diga que um sonho é bobo, encorage o mais absurdo deles. Certamente isso tem mais significado do que um brinquedo novo. Se não puder ajudar no desenvolvimento de uma criança, faz pelo menos o favor de não atrapalhar. Seja a lembrança boa na infância de alguém e não aquele que fazia chacota.
Use esse dia para pontuar dentro de você todas as situações na sua infância que impactaram no adulto que você é hoje (principalmente as ruins) e como você se sentiu quando seus sentimentos foram magoados naquela época. Se não te ajudar em nada, ao menos te fará pensar duas vezes antes de fazer o mesmo com uma criança ao seu redor.
Pesado pra um feriado? Talvez. Mas eu adoro um dedo na ferida. E quanto mais doer, melhor.
Segue uma foto minha de criança pra você continuar me achando fofa mesmo despois desse post.
Bêzu.

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